Sobre o Justin
Aprendi a surfar na Playa Parguito, na Ilha de Margarita. Cheguei a Portugal em 1999. Fiquei.
1999
Ganhei o circuito nacional da ANS na minha primeira época no país. Foi um ano estranho no surf português: os melhores surfistas tinham-se separado da federação e montado o seu próprio circuito, por isso houve dois campeões. O oficial foi o Freddy Brito. O que os surfistas e a indústria reconheceram foi o venezuelano que tinha acabado de chegar.
Nunca contei essa história de outra maneira. Não é preciso.
2004
Selei o título em outubro de 2004, a liderar o ranking, quando a penúltima etapa em Tenerife foi cancelada por falta de ondas. Não é a forma como imaginamos ganhar um campeonato da Europa. Mas um ranking de época inteira não se discute: conta o que fizeste em todas as etapas, não numa tarde com sorte.
POR e VEN
Competi por Portugal na Europa e pela Venezuela na América Latina. Em dezembro de 2012 ganhei o ALAS Latin Pro na Playa Parguito: a final, na praia onde aprendi a surfar, contra o brasileiro Alan Saulo.
Em 2013 terminei em oitavo do mundo no ISA World Masters de Montañita, com a camisola da Venezuela, num quadro onde também estavam o Sunny Garcia e o Kalani Robb.
Regresso a Margarita de câmara ao ombro: Parguito, El Yaque e a costa de Caracas. Fotografia de André Carvalho para a ONFIRE.
2001 — 2010
Doze vitórias de etapa no circuito nacional português. É a sexta melhor marca da história da Liga MEO Surf, atrás do João Antunes, do Frederico Morais, do Vasco Ribeiro, do Tiago Pires e do José Gregório.
A última foi em 2010. Depois vieram as lesões e veio uma geração nova, muito boa e muito jovem. As duas coisas ao mesmo tempo.
2022
Em novembro de 2022 voltei a ganhar um campeonato nacional, desta vez em Grand Masters, na Praia do Marcelino, na Costa da Caparica. Ia atrás e virei a bateria na parte final.
Entre o título europeu e esse há dezoito anos. Para o que faço hoje, isso diz mais do que o próprio título europeu.
Maio de 2026
Voltei a vestir uma licra de competição no Quiksilver Heritage Heat do Allianz Ericeira Pro, com o João Antunes, o José Gregório e o Paulo Rodrigues.
«Penso que vai ser muito giro voltar a vestir uma licra de competição e partilhar uma bateria com grandes surfistas portugueses. É sempre uma honra fazer parte da história do surf português.»
Declaração à ANSurfistas, maio de 2026
Uma viagem com a Teresa Bonvalot e o Xaninho: direitas vazias e dias longos. Fotografia de André Carvalho para a ONFIRE.
A passagem a coach
Comecei a treinar quase sem dar por isso, a corrigir amigos dentro de água entre baterias. Com o Hurley Surf Club percebi que aquilo era um ofício a sério: ver alguém surfar, ver a única coisa que o está a travar e dizer-lha no momento certo.
Vinte anos de competição deram-me o olho. Ensinar devolveu-me a vontade. Hoje o que mais gosto não é ganhar uma bateria: é a cara de alguém que sai da sua primeira parede limpa. Isso ainda não se gastou.