Justin Mujica.
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Sobre o Justin

De Parguito a Carcavelos

Aprendi a surfar na Playa Parguito, na Ilha de Margarita. Cheguei a Portugal em 1999. Fiquei.

Retrato de Justin Mujica
© André Carvalho

1999

O primeiro ano

Ganhei o circuito nacional da ANS na minha primeira época no país. Foi um ano estranho no surf português: os melhores surfistas tinham-se separado da federação e montado o seu próprio circuito, por isso houve dois campeões. O oficial foi o Freddy Brito. O que os surfistas e a indústria reconheceram foi o venezuelano que tinha acabado de chegar.

Nunca contei essa história de outra maneira. Não é preciso.

2004

O título europeu

Selei o título em outubro de 2004, a liderar o ranking, quando a penúltima etapa em Tenerife foi cancelada por falta de ondas. Não é a forma como imaginamos ganhar um campeonato da Europa. Mas um ranking de época inteira não se discute: conta o que fizeste em todas as etapas, não numa tarde com sorte.

POR e VEN

As duas bandeiras

Competi por Portugal na Europa e pela Venezuela na América Latina. Em dezembro de 2012 ganhei o ALAS Latin Pro na Playa Parguito: a final, na praia onde aprendi a surfar, contra o brasileiro Alan Saulo.

Em 2013 terminei em oitavo do mundo no ISA World Masters de Montañita, com a camisola da Venezuela, num quadro onde também estavam o Sunny Garcia e o Kalani Robb.

Justin em Margarita, viagem de 2013
© André Carvalho
Capa da ONFIRE: Justin Mujica vence o circuito latino-americano
© ALAS / ONFIRE

Venezuela, 2013

Regresso a Margarita de câmara ao ombro: Parguito, El Yaque e a costa de Caracas. Fotografia de André Carvalho para a ONFIRE.

Silhueta na falésia com a prancha
© André Carvalho
Curva em Parguito
© André Carvalho
Aéreo junto às rochas
© André Carvalho
Praia de palmeiras, Margarita
© André Carvalho
Curva com um surfista a remar ao lado
© André Carvalho
Snap junto ao molhe
© André Carvalho
Luz de tempestade sobre o mar
© André Carvalho
A equipa nos mangais
© André Carvalho
Duche de praia
© André Carvalho
Snap em contraluz visto da areia
© André Carvalho

2001 — 2010

O circuito nacional

Doze vitórias de etapa no circuito nacional português. É a sexta melhor marca da história da Liga MEO Surf, atrás do João Antunes, do Frederico Morais, do Vasco Ribeiro, do Tiago Pires e do José Gregório.

A última foi em 2010. Depois vieram as lesões e veio uma geração nova, muito boa e muito jovem. As duas coisas ao mesmo tempo.

Justin num tubo de costas
© ONFIRE Surf Mag

2022

Dezoito anos depois

Em novembro de 2022 voltei a ganhar um campeonato nacional, desta vez em Grand Masters, na Praia do Marcelino, na Costa da Caparica. Ia atrás e virei a bateria na parte final.

Entre o título europeu e esse há dezoito anos. Para o que faço hoje, isso diz mais do que o próprio título europeu.

Pódio do Caparica Master Classic 2022
© João Candeias / Caparica Waves

Maio de 2026

Ribeira d'Ilhas

Voltei a vestir uma licra de competição no Quiksilver Heritage Heat do Allianz Ericeira Pro, com o João Antunes, o José Gregório e o Paulo Rodrigues.

«Penso que vai ser muito giro voltar a vestir uma licra de competição e partilhar uma bateria com grandes surfistas portugueses. É sempre uma honra fazer parte da história do surf português.»

Declaração à ANSurfistas, maio de 2026

Moçambique

Uma viagem com a Teresa Bonvalot e o Xaninho: direitas vazias e dias longos. Fotografia de André Carvalho para a ONFIRE.

Direita a correr perfeita
© André Carvalho
Aéreo sobre o point
© André Carvalho
Pôr do sol com a prancha debaixo do braço
© André Carvalho
Parede em sépia
© André Carvalho
Point vazio
© André Carvalho
Snap visto da duna
© André Carvalho
Pancada vertical
© André Carvalho
O point visto do monte
© André Carvalho
Acima do lip
© André Carvalho
Prancha à deriva, preto e branco
© André Carvalho
Curva de licra azul
© André Carvalho
Parede de fim de dia
© André Carvalho
Descida para a praia
© André Carvalho

A passagem a coach

Porque ensino Rascunho · validar com o Justin

Comecei a treinar quase sem dar por isso, a corrigir amigos dentro de água entre baterias. Com o Hurley Surf Club percebi que aquilo era um ofício a sério: ver alguém surfar, ver a única coisa que o está a travar e dizer-lha no momento certo.

Vinte anos de competição deram-me o olho. Ensinar devolveu-me a vontade. Hoje o que mais gosto não é ganhar uma bateria: é a cara de alguém que sai da sua primeira parede limpa. Isso ainda não se gastou.